Você tem amado a Deus acima de tudo? Amar a Deus sobre todas as coisas significa colocá-lo acima de qualquer pessoa, desejo, conquista, dinheiro, projeto ou interesse pessoal. Esse amor envolve o coração, a mente, as escolhas e a maneira como conduzimos nossa vida. Jesus resumiu o maior mandamento dizendo:
“Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mateus 22:37).
Essas palavras foram ditas pelo próprio Jesus. Mas o que Ele quis dizer afinal? que o Senhor, nosso Deus, deve ocupar o primeiro lugar nas nossas prioridades. O crente pode amar sua família, trabalhar, fazer planos, cuidar dos seus bens e buscar seus sonhos, mas nada disso deve tomar o lugar que pertence ao Senhor.
Amar a Deus é desejar agradá-lo. Por isso, esse amor aparece na obediência, na confiança, na maneira de tratar as pessoas e até nas decisões que ninguém está vendo. Não se trata somente de sentir carinho por Deus ou falar sobre ele; existe uma disposição sincera de viver segundo a vontade dele.
Amar a Deus começa no coração
O mandamento apresentado por Moisés ao povo de Israel mostra que Deus deseja uma entrega completa. Veja o que diz Deuteronômio 6:5: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.” A ideia envolve a pessoa inteira, seus afetos, sua vontade e suas forças.
Isso ajuda a compreender por que colocar Deus em primeiro lugar envolve muito mais do que frequentar uma igreja ou participar de atividades cristãs. O coração precisa reconhecer Deus como Senhor. Quando isso acontece, nossas escolhas começam a passar pelo desejo de honrá-lo. O amor por Deus também alcança aquilo que ninguém percebe. A pessoa pode estar sozinha, diante de uma oportunidade de fazer algo errado, e escolher permanecer fiel porque sabe que pertence ao Senhor. Essa decisão revela que sua relação com Deus não depende da presença de outras pessoas.
Amar a Deus significa obedecer à sua Palavra
Jesus ligou diretamente o amor e a obediência. Durante seus ensinamentos aos discípulos, ele afirmou: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (João 14:15). Essa declaração mostra que o amor verdadeiro produz disposição para obedecer.
Isso não significa que um cristão nunca vai falhar. Todos podem tropeçar, reconhecer o pecado e buscar perdão. O que muda é a direção do coração: quem ama a Deus deseja permanecer fiel a ele e não transforma o pecado em algo aceitável para satisfazer a própria vontade.
O apóstolo João também tratou desse assunto com bastante objetividade ao afirmar: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 João 5:3). A obediência, portanto, não deve ser vista como uma obrigação vazia, mas como uma expressão de amor pelo Senhor.
Como saber se Deus está realmente em primeiro lugar?
Uma maneira de perceber isso é observar nossas prioridades. Aquilo que recebe nossa confiança, nosso tempo, nossa dedicação e nossas decisões revela bastante sobre aquilo que ocupa espaço no coração.
Jesus tratou desse assunto ao ensinar sobre riquezas e prioridades. Depois de falar sobre tesouros, preocupações e necessidades, Ele destacou o seguite:
“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
Isso não significa abandonar responsabilidades para viver de maneira irresponsável. O cristão continua trabalhando, cuidando da casa, pagando suas contas e fazendo planos. A diferença está em quem governa essas decisões. Deus não fica em segundo lugar quando surgem preocupações financeiras, desejos pessoais ou oportunidades de crescimento.
Também precisamos olhar para aquilo que fazemos quando ninguém está observando. Se alguém só procura agradar a Deus quando está diante de outras pessoas, ainda precisa compreender melhor o significado de colocar o Senhor acima de tudo.
Amar a Deus significa abandonar a família?
Jesus usou palavras fortes ao ensinar sobre a prioridade do discipulado. Lucas 14:26 registra que quem deseja segui-lo precisa colocá-lo acima dos próprios vínculos familiares. O sentido está na supremacia da lealdade a Cristo.
Isso não autoriza ninguém a desprezar pai, mãe, esposa, marido ou filhos. A própria Palavra de Deus ensina responsabilidade dentro da família. Paulo afirma que aquele que não cuida dos seus familiares está negando a própria fé (1 Timóteo 5:8).
Portanto, amar a Deus primeiro produz uma maneira correta de amar a família. O marido deve tratar a esposa com amor, os pais devem cuidar dos filhos e os filhos devem honrar seus pais. Quando Deus ocupa o primeiro lugar, os outros relacionamentos não perdem valor; eles passam a ser tratados segundo aquilo que o próprio Senhor ensina. Jesus resumiu a relação entre os mandamentos ao dizer: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39). Quem ama a Deus aprende a amar as pessoas de maneira correta.
Amar a Deus acima do dinheiro e dos bens
O dinheiro pode ser usado para sustentar a família, ajudar pessoas, investir em projetos e suprir necessidades. A questão bíblica está na posição que ele ocupa no coração.
Jesus declarou: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mateus 6:24). O problema aparece quando o dinheiro deixa de ser instrumento e passa a comandar as escolhas.
Ter recursos não significa amar menos a Deus. O perigo está em confiar na riqueza como fonte principal de segurança, aceitando comprometer princípios para conseguir mais.
Paulo aconselhou Timóteo a orientar os ricos a não colocarem sua esperança na riqueza, que é incerta, mas em Deus, “que de tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação” (1 Timóteo 6:17). A pergunta que vale fazer é simples: se Deus pedisse que eu abrisse mão de determinada vantagem para permanecer fiel, eu escolheria obedecer?
Três atitudes que demonstram amor por Deus
- Obedecer quando ninguém está olhando. O amor ao Senhor aparece nas decisões tomadas no secreto, quando não existe plateia para elogiar ou condenar. Jesus ensinou sobre atitudes praticadas diante do Pai, que vê o que acontece em secreto (Mateus 6:4,6). Isso alcança pensamentos, palavras, dinheiro, relacionamentos e escolhas pessoais. A fidelidade no secreto revela o que realmente governa o coração. Uma pessoa pode esconder suas atitudes dos outros, mas não consegue escondê-las de Deus. Por isso, amar ao Senhor envolve desejar agradá-lo também quando ninguém está por perto.
- Entregar os planos a Deus. Fazer planos não é errado. Tiago ensinou que devemos reconhecer nossa dependência do Senhor ao falar sobre o futuro: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo” (Tiago 4:15). Quem ama a Deus coloca seus projetos diante dele e aceita que a vontade do Senhor precisa ter prioridade sobre a própria vontade.
- Tratar as pessoas com amor. O apóstolo João mostra que existe uma relação entre amar a Deus e amar os irmãos. Ele afirma: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 João 4:20). Isso significa que nosso relacionamento com o próximo também revela aquilo que carregamos no coração diante de Deus.
É possível amar a Deus e ainda ter sonhos pessoais?
Sim. A Bíblia não ensina que o cristão precisa deixar de sonhar, trabalhar ou construir projetos. O ponto é permitir que Deus tenha autoridade sobre aquilo que desejamos realizar.
Tiago aconselha seus leitores a reconhecerem que o futuro está nas mãos do Senhor. Isso traz equilíbrio para quem tem grandes planos e também para quem está tentando reconstruir a própria vida. Podemos planejar sem transformar nossos planos em senhores do nosso coração.
Examinando Provérbios 16:3, nos deparamos com uma orientação bastante conhecida: “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” O princípio envolve apresentar ao Senhor aquilo que pretendemos fazer e buscar sabedoria para conduzir cada etapa.
Quando um projeto dá certo, Deus continua sendo prioridade. Quando algo não acontece como esperávamos, também podemos permanecer confiando nele. Amar a Deus significa reconhecer que nossa esperança não depende exclusivamente dos resultados que conseguimos alcançar.
Amar a Deus quando a oração parece demorar
Essa parte pode ser difícil para qualquer cristão. Oramos, esperamos, pedimos uma direção e muitas vezes não recebemos imediatamente aquilo que desejamos. Nesses períodos, amar a Deus significa continuar confiando no caráter dele mesmo sem compreender tudo o que está acontecendo.
Habacuque passou por uma experiência de angústia diante das circunstâncias que observava. Depois de apresentar suas inquietações ao Senhor, chegou a uma declaração de confiança:
“Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:18).
Essa postura ensina que nosso amor por Deus não pode depender somente das bênçãos recebidas. Podemos agradecer pelas portas abertas e continuar amando o Senhor quando uma porta permanece fechada.
A oração também pode ser o lugar onde entregamos nossa ansiedade e reconhecemos que Deus sabe aquilo que ainda não conseguimos compreender. Pedro aconselha os cristãos:
“Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pedro 5:7).
Amar a Deus sobre todas as coisas muda nossas escolhas
Colocar Deus acima de tudo alcança decisões simples e grandes. Alcança a maneira como usamos o dinheiro, escolhemos amizades, tratamos nossa família, reagimos a uma ofensa, conduzimos nossos negócios e lidamos com aquilo que desejamos.
Deus precisa continuar sendo Deus quando nossos planos dão certo e quando eles precisam ser refeitos. Essa prioridade produz uma fé que não depende de conveniência.
Jesus ensinou que o primeiro mandamento envolve amar o Senhor com todo o coração, toda a alma e todo o entendimento, seguido pelo amor ao próximo (Mateus 22:37-40). A ordem dos mandamentos ajuda a organizar as demais áreas da existência. Por isso, uma pergunta pode acompanhar nossa oração: “Senhor, existe alguma coisa ocupando no meu coração o lugar que pertence a ti?” Talvez seja dinheiro, aprovação, relacionamento, um projeto, uma preocupação ou até um desejo legítimo que ganhou importância exagerada.
Reconhecer isso não precisa produzir desespero. Podemos confessar, reorganizar nossas prioridades e continuar caminhando com Cristo. O Senhor conhece nossas fraquezas e nos chama a confiar nele.
Amar a Deus sobre todas as coisas significa poder dizer, com sinceridade, que a vontade dele merece a primeira posição. Significa confiar quando não temos todas as respostas, obedecer quando seria mais conveniente fazer o contrário e permanecer perto do Senhor quando as circunstâncias não correspondem ao que esperávamos. Esse amor alcança o coração e aparece nas atitudes. Ele nos leva a cuidar da família, trabalhar honestamente, tratar o próximo com respeito, administrar bem aquilo que recebemos e colocar nossos projetos diante de Deus.
Que essa prioridade seja percebida não somente nas palavras que pronunciamos durante o culto, mas também nas escolhas que fazemos quando estamos sozinhos. Quem ama a Deus acima de todas as coisas aprende a viver para agradá-lo, confiando que nenhuma conquista deste mundo pode ocupar o lugar que pertence ao Senhor.